quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mais um divisor de águas...


Finalmente consegui assistir a "Como estrelas na terra - Toda criança é especial", que eu já paquero há anos e que veio de longe, pelos Correios, enviado pela minha amiga Zizi Casemiro, já há alguns meses,  mas só hoje, por alguma razão, consegui ver!

Chorei, porque infelizmente me vi no discurso autoritário de alguns professores, ainda mais quando comecei a lecionar, ainda muito nova, e cobrava mais dos meus alunos do que hoje acho que deveria, ainda que bem intencionada e não meramente por tirania.  Chorei, porque é triste fazerem comparações entre um filho e outro, desconsiderando que cada um é único, sempre, graças a Deus. Chorei, porque vi como tem faltado mesmo sensibilidade no mundo, para perceber a grande diferença entre preguiça e doença. Chorei por puro medo de não ter sabido enxergar tal diferença em alguns momentos da minha vida.

Chorei por ver tanta ignorância por parte dos pais, tanta incompreensão, tanto medo de lidar com o diferente. Chorei por acharem que o diferente vale menos, quando, na verdade, ninguém vale mais ou menos que ninguém, nem com relação a si mesmo e com o que se esperava que fosse. Chorei por de repente não ter sabido encontrar em alguém as habilidades que se tinha e por ter rotulado por não ter encontrado as que eu procurava.

Chorei por pena de ver um menino que precisava tanto de ajuda e compreensão e ganhou ficar distante da família, recebendo solidão em vez de abraço, bronca em vez de carinho, palmatória em vez de ajuda. Chorei porque ninguém entendia seus momentos de revolta... de angústia... Chorei porque também já me senti assim e sei o quanto dói sermos hostilizados quando, no fundo, sedentos,  cansados, imploramos, ainda que silenciosamente,  por amor. Chorei porque já devo ter matado muitas pessoas-árvores com palavras de desprezo, raiva, amargura, ódio momentâneo, vingança, me esquecendo do quão poderosas são as palavras! Chorei porque muitas vezes elas me fizeram suicida!

Mas também chorei quando souberam OLHAR para ele, verdadeiramente, e se reconhecer nele... de buscar soluções... de acolher... de acreditar em vitória... de querer fazer algo... de precisar fazer a diferença! Chorei quando vi a obra de arte que o menino produziu e que o levou da condição de demente a gênio, de fracassado a vitorioso!!! Chorei, mais ainda, quando o professor retratou esse menino sorrindo, profetizando que se pode, sim, transformar dor em alegria! Choro por querer saber ser esse professor, fazendo pelo meu aluno o que eu, como mãe, gostaria que fizessem com meu filho! Tudo, e mais um pouco.

Impossível assistir a esse filme e continuar sendo a mesma... Ainda bem, Senhor! Obrigada aos meus amigos Márcio Carvalho e Jaqueline Barboza, por terem dado, mesmo sem saber, o pontapé que faltava para eu encontrar tempo para fazer esse "encontro" acontecer!!!

Acróstico do mais puro amor


Meu filho amado,
Ilumina todos os meus dias
Guardo em você sonhos...
Ungido por Deus,
Esperanças que se renovam
Lua e sol num só ser!

Garoto arteiro, lindo e perspicaz
Arcanjo dono do meu coração
Risonho e puro
Coração maior do que o mundo. 
Imaginação pra lá de fértil
A minha melhor canção!

Felicidade em mim habita
A você dedico cada linha
Responde com um sorriso
Inigualável, incomparável...
Amor puro, grande, incondicional!

Dou graças a Deus por tê-lo 
Adoçando e justificando minha existência! 

Reina em cada pensamento:
Ordena, 
Consente,
Harmoniza,
Abençoa! 

Salva,
Ilumina, 
Liberta.
Vela sonhos,
Esperanças,
Ilusões,
Razões...
A maior delas é amar você, sempre! 

Mais um mês de vida! 3 anos e meio! Que continue com essa força interior maior do que a do Super-Homem! Eu e a vovó Cléa amamos demais você! É tudo para nós! 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Mamífero III (ou "desmamiferando!")

-- Tá vendo só, filho, como você tem foto mamando e está comprovado de que é um mamífero!?!
(Silêncio, enquanto olhava atentamente a foto, como se quisesse descobrir alguma marca de Photoshop, de montagem, ou algo do tipo).
-- Foi lá para o "Gugui"?
-- O quê? 
-- A minha foto, ué! 
-- Não, filho, está só no meu blog.
Olhou para mim, com um ar de vitorioso! 
-- Tá bom, Miguel, você NÃO é um mamífero, tá bom? 
(Silêncio)
-- Mãe, por quê? 
-- Por que o quê, Miguel?
-- Por que eu não sou mais um ma-mí-fe-ro? 
(Silêncio sepulcral. Vontade imensa de colocá-lo de castigo e deixar um ano e meio sem... LEITE!)

Mamífero II (ou "não sou mamífero meesmo!")

Decidi registrar a historia do mamífero aqui para que a coisa não se perdesse, já que está cada dia mais complicado confiar na minha já tão gasta memória. Até aí tudo bem, se eu não tivesse tido a "brilhante" ideia de convidar Miguel para escolher uma imagem para utilizar no post!!! Abrimos o Google, digitamos a palavrinha mágica e... pronto!!! Meu aprendiz de filósofo, inquieto e questionador como ele só, atento, argumentou que não é mamífero meeeeeeeesmo, visto que ali só apareciam fotos de bichos mamando e nenhuma de... GENTE!!! 

Não pude controlar minhas gargalhadas ao ouvi-lo, indignado, dizer: -- Tá vendo, mãe, eu sou gente!!!

Pronto! Tentando achar uma solução para esse problema, colocando aqui neste post um mamífero que é gente, e que é ele!!! Vamos ver se isso o convence ou se essa historia ainda vai render a ponto de surgir um "Mamífero III"!!!! Com ele tudo é possível! Ou alguém duvida?!? kkkkkkkkkkkkkkkkk


Mamífero I (ou "eu não sou mamífero!")

Vendo o desenho "Os sete monstrinhos" com Miguel, para variar, me acabei de rir com sua tamanha curiosidade em querer entender tudo! Parece que vai ser uma reprise minha, pois sempre adorei os porquês de tudo, e sou assim até hoje. A fase dos porquês, em mim, e provavelmente nele, será prolongada sabe-se lá Deus até quando! 

A minha figurinha rara ouviu a palavra até então desconhecida MAMÍFERO e me perguntou prontamente o que era, num diálogo que agora aqui tento reproduzir: 

-- Mãe, o que é ma-mí-fe-ro?
-- É animal e gente que, quando filhote, bebe leite, mama... Você, por exemplo, filho, é um mamífero!

(Silêncio, misturado com espanto)

-- Mããããe, eu não quero ser mamífero não! (com cara de choro, preocupadíssimo)
-- Por quê, filho? Ser mamífero é bom, ué! (me controlando para não rir)

Voltou a brincar, mas, se bem o conheço, o cérebro continuou processando e querendo se convencer de que era um mamífero e de que forma isso poderia ser bom...!!! Para ele, ainda mais soletrando a palavra, estranhíssima, era tudo aterrorizante, isso sim!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Inteligência e fidelidade infantis


Fico rindo ao observar meu filho e sua fidelidade ao que sente, mesmo à distância e sem manter contato diário com algumas pessoas! Antes mesmo de completar um aninho, ele já namorava a Liz e, mesmo conhecendo muitas outras meninas, ainda mais na escola, não houve um só momento em que ele sinalizasse mudar de ideia... nem de namorada!  Sempre que é indagado sobre isso, não titubeia e prontamente responde com um sonoro"LIIIIIIIIIZ". Também não se esquece de alguns amiguinhos da escola!

Estar junto não é necessariamente estar perto o tempo todo, mas estar TODO, INTEIRO toda vez que a isso se dispõe. Noto isso toda vez que finjo que estou vendo desenhos com ele enquanto digito minhas provas no computador e constato que essas horas, para ele, não são computadas, por perceber seus olhinhos de insatisfação, que me incomodam e me obrigam a tomar a sábia decisão de largar tudo, mesmo atarefada, cansada, gripada, com dor, e ir com ele para o quintal jogar bola, ou à pracinha, ou a tomar um sorvete, ou encher a piscininha para ficarmos a tarde toda brincando! 

Não adianta fingir... nem mentir... nem tentar tapear... Criança percebe isso com tamanha facilidade e rapidez! Adulto que tem disso de se fazer de bobo, de bancar o cego para não perder determinadas coisas... para não afastar determinadas pessoas na esperança de... De quê? De ser sempre feito de idiota?!? Enfim...

Invejo sua capacidade de gostar sem exigir nada em troca (a não ser sinceridade), invejo seu desprendimento em deletar determinadas pessoas de sua vida quando percebe que elas não fazem o menor sacrifício nem questão alguma de estar junto dele, invejo quando ignora quem não o acha, de fato, importante e especial...  Não tem mesmo que se contentar, nesse caso, com menos do que você merece, filho, e você merece o mundo! Como aprendo com você! Muito! Sempre! E obrigada por sempre me oferecer mais do que um sorriso (que já bastaria) e me presentear com um abraço carinhoso acompanhado por um "obrigado, mãe, eu te amo". Você me ilumina, me colore, me renova, me faz melhor. Não tem presente maior do que esse! Não mesmo! 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bem-vindo (de novo), Arthur!


Miguel já o conhecia antes mesmo de nascer, acho, pois o via passar no colo de sua mãe quando ainda na minha barriga estava. Se não via, sentia. Era um aceno de uma mãe daqui, outro da mãe de lá, e a existência deles acabou fazendo nascer uma amizade. Ser mãe, aliás, aproxima demais as pessoas, cria laços! É até mágica a simpatia que uma grávida tem pela outra!

Nos aproximamos, trocamos dicas e conselhos, trocamos fotos, DVDs da Galinha Pintadinha, roupas e até um All Star preto Miguel herdou! Juntos eles passeavam bastante e eram inseparáveis! Muitas idas às pracinhas, piqueniques improvisados... Moravam na mesma rua... 

Lembro-me como se fosse hoje da Mariana, por telefone, me dizendo que, depois de um bom tempo separada, tinha resolvido dar uma chance ao pai de Arthur e tentaria mais uma vez. Eu optara  pelo trajeto oposto: tinha acabado de me separar. Mesmo tendo ficado triste por ter perdido minha companheira de passeios, grande parte minha se alegrou: sempre me alegro quando uma família desfeita tenta se refazer! Orei por eles! Muito! Mereciam ser felizes! Aliás, todo mundo merece, principalmente pessoas batalhadoras, do bem! ´Dentro do esperado, nossos caminhos acabaram se afastando, porém, os sentimentos não. 

Bom ver que, mesmo com pouquíssimo contato, Miguel continuava se referindo a Arthur como melhor amigo, posto agora dividido com Guigui, outra gracinha de menino,amigo da escola! Com Guigui, a historia se repetiu e veio Rose, que logo minha amigona também se tornou! Mãe atraindo mãe... Minha  "velha" teoria! Companheiros inseparáveis também, até que Guigui se mudou para São Pedro e aí deixariam de estudar juntos. Outra dor, mais em mim do que em Miguel. Criança tem sempre a leveza e a sabedoria de saber lidar com o inesperado e com as adaptações beeeem melhor do que a gente! 

Como uma espécie de compensação, Mariana e Arthur voltaram a ficar próximos e os passeios voltaram, as bagunças voltaram, até juntos vão estudar, nesta louca gangorra da vida. Fiquei feliz pela proximidade, pois sempre senti saudades disso, mas, novamente, uma parte de mim (grande) se entristece... por saber que tudo isso tem um preço... e mais uma separação. Sigo sem entender... Prefiro sentir, aproveitar, curtir! A vida está aí para isso! Pensar às vezes dói e eu estou, definitivamente, correndo de dor! 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Encontrada dentro de um livro...

Organizar meus livros nas estantes é uma tarefa melancólica e sempre reserva algumas surpresas... ora agradáveis, ora nem tanto assim!  A sensação que tenho é a de estar sempre prestes a abrir uma caixinha de surpresa, ou a famosa Caixa de Pandora, mas sem a esperança na jogada. Por essas e outras, confesso, muitas vezes evito, adio, resisto...

Encontrei mais uma cartinha perdida, cujo destinatário nunca será motivo de vergonha ou arrependimento: meu filho. Mais uma de tantas cartas que escrevi para meu arcanjo Miguel. Que elezinho um dia possa ler todas e que, claro, me sinta em cada uma delas, principalmente se, por algum motivo, eu não puder estar ao seu lado, fisicamente, para lermos juntos!

Hoje, mais uma vez, senti a efemeridade da vida, ao ver deitado num caixão, inerte, um amigo querido que há tão pouco tempo esbanjava jovialidade, alegria, tanta vida! Num curto espaço de tempo tudo pode mudar... e isso nos faz repensar uma série de coisas, valorizar ainda mais outras e, claro, aceitar determinadas transições, que nos conduzem, sim, para muitos renascimentos... Bom renascimento, Juninho, e que saibamos renascer todos... sempre...!!!!

Filho,

Hoje é domingo de Páscoa e é a sua primeira Páscoa, de muitas, se Deus quiser! Queria que você só conhecesse o lado bom e doce da vida, com o gostinho do sorvete que você tanto adora ou daquele delicioso suquinho que a mamãe faz com tanto carinho para você, ou até mesmo daquele pedacinho minúsculo de chocolate que resolvi lhe dar, mesmo morrendo de medo! Só que nem tudo sai de acordo com o que queremos, pois, se assim fosse, o mundo dos filhos seria perfeito em tudo, obedecendo às vontades de cada mãe, que é sempre generosa. Quero então que você saiba lidar com todos os momentos menos doces que surgirem em sua vida, como este agora, em que os dentinhos começam a lhe rasgar a gengiva, causando tanta dor, desconforto e irritação! 

Você ouvirá falar muito no Papai do Céu e também em seu filho Jesus, que morreu na cruz por nós e que também ressuscitou, há séculos, num domingo... de Páscoa, como este. Que você saiba então que é preciso sempre fazermos uso de um sentimento mágico chamado FÉ, que só ele poderá mudar tudo em nós e em nossa vida, só ele pode transformar até morte em vida, tristeza em alegria, dor em consolo.  Precisamos renascer praticamente todos os dias, filho amado! Um dia você saberá do que fala a mamãe, quando maiorzinho já for, pois agora é apenas um bebezão lindo de sete meses e meio, apesar de ser muuuuuuito espertinho! 

Páscoa não é só ovo de chocolate e bombom (embora isso tudo seja delicioso e possa estar sempre presente neste dia) e espero que o verdadeiro sentido desta data esteja sempre, consciente ou inconscientemente, presente em você, em seu coração. Saiba que a mamãe ama demais você e sempre amará! É o meu leãozinho, meu amor, meu bichinho da goiaba, meu branquelo! Feliz Páscoa, hoje e sempre! 

Com amor, 
Mamãe Dedéia
04/04/2010

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Deus: Juninho!


É com muita tristeza que venho aqui escrever sobre essa figura incrível que foi e é Juninho: inteligente, brincalhão, amigo, alegre (mesmo nos momentos de sofrimento e de dor eu jamais o vi sem um sorriso no rosto, seu cartão de visita!), excelente companheiro (sei que muito feliz fez minha amiga Márcia), um pai maravilhoso para as cinco meninas que deixa (Raquel, Isabel, Rute, Natália, Carol), ótimo filho, sobrinho e primo querido por todos, amigo de muita gente que sei que hoje, como eu, chora e ora por ele, não necessariamente nessa ordem!

Tive a honra de tê-lo, mesmo que por pouco tempo, como meu professor de Matemática no Miguel Couto e lembro-me de que suas aulas eram pra lá de engraçadas, sem falar que era impossível não entender suas explicações, entre uma fungada e outra. Depois, tive a chance de tê-lo como colega de trabalho na FERLAGOS (onde até hoje não sei se trabalhamos ou se zoamos mais) e aí logo a sua historia com a de Marcinha se misturou... e nunca mais se separaram!

Passaram, juntos, por algumas turbulências, incompreensões, lutas, perdas, dores (acompanhei algumas delas, ainda que nem sempre de perto), mas também receberam muitas conquistas, vitórias e bençãos, sendo a tão sonhada e esperada Carol a maior delas, tenho absoluta certeza! 

Acabei, quem diria, por ironia do destino, fazendo parte de sua família, dando à Carol seu priminho  Miguel, e foi graças a ele que eu pude estar presente no nosso último encontro: festinha da sua filhota e também dia do seu aniversário, o último entre nós. Hoje entendo o porquê de eu ter sentido um certo clima de despedida (antecipada). Só hoje entendo cada lágrima que caía quando eu, debruçada no murinho da "Casa da árvore", o via voltando a ser criança brincando com suas filhas! Não o vi mais depois disso, mas está há tempos em minhas orações e estará sempre! 

Muita gente estava orando fortemente nestes últimos dias e, claro, apostando que, mais uma vez, você, forte, destemido e guerreiro, sairia desta e venceria a doença, alcançaria a cura, mas... Deus tinha outros planos e que estão acima do nosso humano e limitado entendimento! É a hora da partida, que implica em dor, tristeza, saudade... e é chegada a hora de dizer "até logo" e de pedir conforto para os que ficam. Hoje, sei que não são poucos os que choram... Você marcou de forma especial a vida de cada um! Fez historia! Uma historia linda e intensa! Portanto, descanse em paz, meu amigo, e não se esqueça de levar sua inseparável pochete, porque todo o resto você tem pra lá de sobra, dentro de você! Feliz caminho novo! 


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Segurança de mim mesma!

Em 2012, confesso que estive bastante ausente não só daqui do blog, mas como meio que de mal com a escrita e até comigo mesma. Foi um ano de lutas e por isso meio que me silenciei, na marra, já que tudo parecia estar sem foco e se eu falava "alho" entendiam "bugalho". Cansei das incompreensões... desisti de lidar com elas, tão estressada e ferida eu saía sempre!

Este ano algo mudou... A tempestade não me assusta mais por eu já saber transformá-la em brisa... e numa brisa que acaricia meus cabelos, minha alma, meus dedos... dão um Norte a eles, ainda que para muitos seja um Sul... Aprendi a lidar com as diferenças e não há mais nenhuma necessidade de convencer ninguém de nada... nem a mim mesma!

O resultado é que, num só mês, postei o equivalente a todo um ano, no ano passado. Mesmo não tendo (re)aprendido a cantar, solto meus grunhidos e dane-se quem acha feio, estranho ou desafinado. Já passei da fase de pensar no que vão pensar de mim... até porque pensam até mesmo quando me silencio. Que pensem à vontade então! Não posso impedir... nem tento mais... nem quero mais... Aprendi o essencial: posso, sim, impedir de que o que pensam sobre mim (sendo ou não verdadeiro) me atinja. Sensação boa de autoproteção! Nem preciso de seguranças, afinal, tornei-me, a duras penas, segurança de mim mesma. E nisso não falho mais! Palavra! 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vem aí o arco-íris...


Mesmo longe, já avisto o arco-íris, e ele é lindo, com todas as suas cores pra lá de nítidas... Uma estranha leveza em mim se instala e sinto meu ser rodopiar feito bailarina em dia de show, segura após tantos ensaios. Já não há o medo de que chova, porque já aprendi que a chuva em nada atrapalha, quando ela é externa e só molha o corpo. Já saí de casa em tantos dias ensolarados, erroneamente acreditando que tudo seria perfeito, e sem notar que a única ameaça era eu totalmente nublada por dentro... 

Hoje, se chover, aproveito a chuva para molhar o corpo e a alma... para regar todas as minhas sementes... para dançar dentro das poças e dos possos, muito mais do que os não-possos da vida! Curiosamente tenho me permitido poder tudo. Tudo e mais um pouco. E só pode ter essa estranha certeza aquele que se choveu tanto! Benditas chuvas! Todas elas! 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Carta à presidente Dilma

Confesso que quando vi a presidente Dilma chorando, emocionada, ao falar do incêndio de Santa Maria, fiquei com os sentimentos meio divididos. Foi uma espécie de repeteco do sentimentalismo petista do Lula, com um toque feminino, que, por ser mãe, dá novas cores a tudo, e pensei no idiota do FHC, duvidando que ele derramasse uma lágrima, como o sociólogo que nunca enxerguei nele. 

Também me sinto revoltada com o monte de coisas erradas neste mundo, com as permissivas conivências do Governo, suas inúmeras falhas, mas, apesar de não conseguir ser assim tão incisiva com a Dilma, entendo muuuito de tudo que vem nesta carta-desabafo, de uma cidadã comum (e não menos importante) como eu e você, que faço questão de aqui compartilhar. Só quero lembrar que tem muita gente que  ganha um péssimo salário e nem por isso se torna subornável... muito pelo contrário, ouso falar que quanto mais se ganha, mais suscetível se parece ficar a esse tipo de coisa... Enfim, que venham as reflexões...


"Engula o choro, presidente. Engula o choro ao falar da tragédia de Santa Maria. Engula o choro e todos os problemas deste país que nele estão escancarados. Engula que o medo do segurança de ser demitido neste país é maior do que sua consciência de deixar as pessoas saírem sem pagar suas contas para não morrerem. Engula a soberba dos donos de empresa desta nação que não estão nada preocupados com pessoas como eu e até mesmo como a senhora, porque estão focados demais em lucrar, e preferem fechar as portas como numa câmara de gás a ter prejuízos. Engula a pressão que todos os seus funcionários sentem todos os dias. Engula que para arcar com seus altíssimos impostos, todos eles dão um jeitinho bem brasileiro de se desviarem dos regulamentos e leis. Engula que os órgãos responsáveis por evitar que isso aconteça não funcionam. Engula que eles deixaram esta, entre tantas e tantas casas mais, funcionar sem licença. Engula que provavelmente alguém que também ganha pouquíssimo aceitou um suborno para que isso acontecesse. Engula que a senhora deu "é" sorte por ser apenas essa casa, entre tantos os outros lugares que deveriam estar fechados, que caiu na boca da mídia. Engula a mídia que vai atacar com todo o sensacionalismo possível em cima das famílias que estão procurando celulares em cima de corpos para reconhecer seus filhos. Engula as operadoras de celular que não funcionam e que provavelmente impediram uma série de vítimas de pedir socorro. Engula que o socorro que chega para se enfiar em lugares como este, pegando fogo, cheio de corpos de jovens para ser resgatados, recebe um salário vergonhoso,com descontos ainda mais vergonhosos, e ainda assim executam um trabalho triste e digno antes de voltarem para casa e agradecerem por seus próprios familiares estarem dormindo. 

Não, presidente. Não chore ao falar da tragédia. Faça! Faça alguma coisa. E pare de nos dar como exemplos uma série de catástrofes para tomar medidas idiotas que não valerão de nada alguns meses depois. Não se emocione. Acione! Acione os órgãos públicos, faça uma limpa em sua maldita corrupção e devolva à segurança pública, às instituições sérias, aos professores, aos bombeiros, aos enfermeiros, aos seguranças, aos jovens, o mínimo de dignidade. Não faça um discurso. Mude o discurso. Mude tudo, porque estamos cansados de ver nossos iguais pegando fogo, morrendo afogados, morrendo em filas, morrendo no crack, morrendo, morrendo, morrendo, e tendo como última imagem aquela TV aos fundos anunciando o fim de mais uma bilionária obra de estádio de futebol. 

Não, presidente. Desculpe, mas na minha frente a senhora não pode chorar. Não pode chorar sem culpa. Não pode chorar sua inércia. Não pode chorar no Chile, mas também não pode chorar em Santa Maria. Porque ísso é muito maior do que só um acidente. Isso é muito maior do que só sua comoção. Engula o seu choro, presidente. O seu, o dos jovens que perceberam que não teriam mais o que fazer que não morrer, e, em especial, o de seus amigos e familiares, que em um país como esse não têm outra opção que não chorar. Engula o choro, presidente."

(Marcella Martins)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Perdida...


Após me encontrar, apesar de não temer a morte, faço questão de me perder... Lanço-me novamente no labirinto e me recuso a usar a mesma saída. Sempre achei sacais as repetições, agora mais do que nunca. Mesmo sabendo que pode não haver outra saída, busco. A busca às vezes é muito mais prazerosa do que o achar. Se outra saída não houver, crio uma, na marra. Vou preparada, munida de martelo. Cavo, apalpo, destruo... só para ter o prazer de reconstruir, principalmente a mim mesma. E depois... claro... me destruo novamente. E curiosamente vivo! 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O anel cadê? Já era! Perdeu!

Na brincadeira de passar o anel da culpa, sabe-se lá nas mãos de quem ele vai parar, se é que, como quase sempre, ele não vai se perder pelo caminho! Será que vai para o dono irresponsável da boate?  Dos carinhas babacas da banda que lá tocava e que não sabiam que show pirotécnico não combina com local fechado? Dos seguranças que, dementes, não sacaram que poderia estar acontecendo algo atípico lá dentro para justificar tanta gente querendo sair? Do órgão de fiscalização que fez vista grossa (ou "levou algum") e permitiu que um lugar com licença vencida continuasse funcionando normalmente?  

Ahhh, do jeito que a coisa anda, dá até medo de daqui a pouco o anel da culpa ir parar na mão de quem escolheu ir se divertir na boate justamente aquela noite enquanto poderia estar em casa, no conforto do seu lar, assistindo ao BBB e afins... e que curiosamente nem precisaria ser punido! Já está cumprindo a pior das penas: deixar de viver! Revoltante...!

Não precisamos ir tão longe, pois recentemente aqui mesmo em Cabo Frio um pilantra que assaltou usando um bilhete (e muito do mal escrito, diga-se de passagem!) e que confessou o crime,  justificando que gastou o dinheiro com crack, "tadinho", foi solto. Me perdoe a franqueza, mas sinto falta de um tempo em que se prendia até quem roubava um pão, para matar a fome. E olha que isso eu juro que entenderia, mas...

Estou cansada de ver tanta impunidade... em todo o canto... e cada dia menos crianças brincando de passar o anel e mais crianças brincando de "polícia e ladrão" e,  pelo visto, levando isso super a sério! Preocupante, preocupante...

Algo em mim queima, se incendeia. Muita dor. Na alma. O jeito é mesmo desligar a televisão... Quem sabe assim dói menos?!? Não sei. Não sei não. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Santa Maria, olhai por eles!


Amanheci pesando mais uns duzentos quilos, por conta da tristeza e do sofrimento com relação às tantas mortes ocorridas em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Que Deus conforte cada família e que acolha cada um que partiu por simplesmente estar no lugar errado, se é que isso existe! Às vezes não dá mesmo para entendermos os propósitos de Deus, mas, mesmo assim, sigo crendo piamente Nele! 

Como o "morrer junto" me silencia, peço emprestada cada palavra do queridíssimo e talentoso Fabrício Carpinejar utilizada neste emocionante texto. Ele é foda! 

"Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andrades, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cina,anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.  Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência. Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados. Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro. Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mão, do pai, dos irmãos. Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu." 

(Fabrício Carpinejar)