Nesta onda de tanta mulher-fruta, que abraça esse rótulo com satisfação e orgulho (apesar de eu não entender, sinceramente), quem escolhe não ser fruta, nem mulher obra de arte, parece andar na contramão. Dou banana também e que se dane quem pensa que é despeito! Tenho muito mais do que bunda e peito! E é isso que quero mostrar, se é que quero! O legal é tudo aquilo que se descobre com naturalidade, sem forçar barra... sempre...
domingo, 10 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
No meio do caminho tinha uma borboleta
Estava lendo uns textos da especialização ainda há pouco, enquanto Miguelito fazia (e ainda faz), empolgadíssimo, suas tarefas dos seus livros-lousa, e foi aí que parei, encantada, nestes versos de Manoel de Barros, um poeta que eu acho uma gracinha. Adorei! Confesso que ainda não os conhecia!
Concordo com ele que a maior riqueza do homem é a sua incompletude. Também não me aceito como sou, e, sem saída, acabo sendo, então, múltiplas. Mania de ir além. É um querer quase que vital de me superar, de me surpreender, de ir além, de buscar, de insistir, de caminhar até mesmo quando o corpo e a mente cobram repouso. Digo não aos comandos, à robotização das regras, à rotina que nos aprisiona tanto. Burlo. Transgrido. Rejeito. Não tem jeito de me enquadrar. Simplificar o ser humano é roubar inúmeras possibilidades e eu que não tenho conseguido roubar nem flor...
Peço perdão o tempo todo. A todos. A mim. Quero cores. Quero borboletas -- nossa grande salvação. Então que venham todas: amarelas, azuis, verdes, rosas, vermelhas (muitas!). São todas bem-vindas. Que façamos um imenso arco-íris. Dançante. Juntos. Mutação. Me torno uma. Me torno várias. Abraço a lagarta também. Sei ser. Antes e depois. Transição. Abraço o eu, o tu, o ela, o elas... tudo... convido até aquelas que sou, mesmo não sendo, ainda. Embarco nas possibilidades... na riqueza... nos vários eus, de Deus!
Concordo com ele que a maior riqueza do homem é a sua incompletude. Também não me aceito como sou, e, sem saída, acabo sendo, então, múltiplas. Mania de ir além. É um querer quase que vital de me superar, de me surpreender, de ir além, de buscar, de insistir, de caminhar até mesmo quando o corpo e a mente cobram repouso. Digo não aos comandos, à robotização das regras, à rotina que nos aprisiona tanto. Burlo. Transgrido. Rejeito. Não tem jeito de me enquadrar. Simplificar o ser humano é roubar inúmeras possibilidades e eu que não tenho conseguido roubar nem flor...
Peço perdão o tempo todo. A todos. A mim. Quero cores. Quero borboletas -- nossa grande salvação. Então que venham todas: amarelas, azuis, verdes, rosas, vermelhas (muitas!). São todas bem-vindas. Que façamos um imenso arco-íris. Dançante. Juntos. Mutação. Me torno uma. Me torno várias. Abraço a lagarta também. Sei ser. Antes e depois. Transição. Abraço o eu, o tu, o ela, o elas... tudo... convido até aquelas que sou, mesmo não sendo, ainda. Embarco nas possibilidades... na riqueza... nos vários eus, de Deus!
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
(Manoel de Barros)
A mais bela declaração de amor!
Ontem, antes de dormir, estava me sentindo super mal e pedi um antigases a mamãe. Queixei-me de que a minha barriga estava tão inchada que parecia que ia explodir. Para a minha surpresa, Miguel, que estava tomando leite, parou prontamente de fazê-lo, arregalou os olhos e, correndo, veio beijar a minha barriga e, em seguida, me deu um abraço (o mais apertado que já me deu até hoje). Começou a chorar, um choro tão sentido, que me cortou o coração!
Mamãe, ao ver a cena, para variar, saiu pela tangente, chorando (acho que puxei um pouco a ela ao tentar me esconder quando choro, como se isso fosse vergonhoso ou nos deixasse vulneráveis demais, não sei. É algo meio que instantâneo, ainda mais depois que Miguel nasceu e vive me perguntando o porquê de eu chorar). Logo em seguida, chorei eu.
Chorei porque ouvi dele, ao tentar consolá-lo, no meu colo, que pensou que a minha barriga fosse mesmo estourar e que eu ia morrer, que não queria ficar sem mãe. Chorei por perceber o quão distraída às vezes sou na presença do meu filho, que tudo percebe e na proporção dele, e que preciso me policiar daqui pra frente, para evitar que fique assim tão aflito e nervoso. Chorei, acima de tudo, por perceber o quão importante sou pro meu filho, o quanto ele me ama, e o quanto tudo isso é recíproco! Não há nenhuma historia de amor maior e mais bonita do que esta! Garanto!
sexta-feira, 8 de março de 2013
Hoje é sexta-feira...!!!
Saudades do tempo em que eu torcia para a sexta-feira chegar para eu sair, para curtir com os amigos, jogar conversa fora a madrugada toda e poder compensar o sono no dia seguinte. Saudades do tempo em que eu torcia para chegar a sexta-feira, para eu poder aproveitar o final de semana para descansar, ler, ver filme, ou me dar ao luxo de ficar à toa, sem nada fazer e sem não me culpar por isso.
Agora a sexta já me encontra cansada, logo assim que acordo, e representa me cansar ainda mais em casa, mas curtir muitíssimo meu filho e minha mãe. Só sinto saudades, também, do tempo em que eu tinha um pouquinho mais de tempo para mim, do eu comigo, sabe! Mas isso não é um lamento, é apenas uma constatação. Nada mais do que isso. Juro!
Dia internacional do ser humano!
Nem o sono conseguiu o milagre de amenizar a minha tristeza, decepção e revolta! E se eu já era meio avessa a algumas datas especiais, que só reforçam uma discriminação, hoje então... recuso! Não há nenhum motivo para comemorar o dia internacional da mulher e começo a cogitar aqui a urgente necessidade de se criar o dia internacional do SER HUMANO, de fato. Muitos estão se esquecendo de que o são, ou de que deveriam sê-lo. Isso me deixa preocupada, sem falar que faz com que eu me sinta cada dia mais alienígena dentro do meu próprio habitat.
Como tentativa de conforto, leio e releio as sábias palavras do querido Doutor Ivo Saldanha -- com quem, com orgulho, faço tratamento -- que aqui faço questão de registrar e compartilhar:
"Irmã Andreia Dequinha, esse ambiente de mau acolhimento e cuidado humano é a prova do adoecimento da instituição social da saúde, em que o governante confunde gente com objeto, com o olhar mais profundo vemos que esses gestores estão doentes também. É necessário esforço de todos nós para trazermos mudança e você está produzindo esse potencial de mudança e usando todos os instrumentos para atingir o alvo, estamos juntos para fortalecer essa nossa família por afinidade."
Que saibamos
anular esse processo infeliz de coisificação do ser humano e que
possamos resgatar a humanidade perdida... É preciso, é preciso! E antes
que seja tarde, se já não for!
Falsa entrega
Às vezes me entrego, e aparentemente entrego os pontos para a tristeza e para a descrença, mas se engana quem pensa que é um estado definitivo. Puramente momentâneo. Estágio. É só o tempo necessário para eu me recompor e recobrar (e redobrar) as forças! E reiniciar as buscas, as lutas... Garanto! Sou Fênix...
quinta-feira, 7 de março de 2013
UPA 24 horas??? Só se for de espera!!!
Após ajeitar meu filho e deixá-lo na casa da minha vizinha para que ela o levasse à escola, porque já sabia que talvez o atendimento
demorasse “um pouco”, pedi favor a uma outra vizinha para levar mamãe, por volta das 10 horas, à UPA, por ela ter amanhecido com diarreia e vômito, fato
agravado por ela ser idosa (69 anos), diabética, hipertensa, depressiva, com um
problema vascular e lesão no tendão de Aquilles. Na hora do registro fiz questão
de enfatizar tudo isso e, mesmo assim, houve uma demora sem tamanho para
atendê-la.
Fiquei perplexa ao ver que a desorganização é tamanha que não sabem
diferenciar o que é prioridade do que é um caso que pode esperar um pouquinho mais! Até se aparecesse ali um alienígena não saberiam quebrar o protocolo e fugir do que foi ensaiado. NENHUM jogo de cintura, nenhuma educação também de um certo atendente, da recepção. Assistente social deve ser artigo de luxo ou estava em sua forma invisível. Fui questionar e me disseram que mamãe já estava como atendimento prioritário (fiquei até com vergonha de perguntar se conheciam a palavra) e depois me dirigi à enfermeira, que foi conversar com o médico para tentar acelerar o
atendimento, e isso com mamãe quase desmaiando, chorando muito de nervoso e de
desconforto e ameaçando ter uma hipoglicemia, já que nada parava em seu estômago
por conta da virose!
A espera foi tão grande (enfatizo) que ela teve que passar
pelo CONSTRANGIMENTO, com essa idade, de se sujar toda, e na frente de todo
mundo, pois não aguentou mais segurar a diarreia nem o vômito e muito menos deu tempo de ir ao banheiro, já que tem um probleminha no pé. Humilhante a
situação! Aí me revoltei e comecei a reclamar, para todo mundo ouvir, da forma DESUMANA com que as
pessoas ali, já fragilizadas pela doença e pela dor, estavam sendo tratadas. Logo foram dar um jeito. Se eu soubesse disso, já tinha feito um "barraco" antes! (risos)
Tive que vir em casa para pegar roupas e toalha para darem um banho nela e enquanto isso ela ficou lá no banheiro, esperando, coitada! Levei um tempo para acalmá-la e convencê-la de que ali ninguém estava ligando
para ela ter se sujado, não consideraram uma vergonha para ela e sim para a
PORCARIA de atendimento da UPA, embora eu particularmente ache tudo isso
DESNECESSÁRIO! E quem mora longe? E quem não tem dinheiro para pagar um táxi ou
pegar um ônibus? A pessoa ficaria lá suja para ser atendida? Ficaria passando mais
essa vergonha? Lamentável!
Depois outra demora, pois de todos os médicos que saíram para almoçar
(tinham uns 5 pela manhã) só dois voltaram e era lastimável ver como eles se
esforçavam para dar conta de atender a todos, mas era humanamente impossível! A
quantidade de pessoas vomitando e com dor estomacal, com diarreia, febre, era
imensa!
Saímos de lá no finalzinho da tarde! E ainda tinha muuuuita gente para
atender, e olha que isso porque ainda houve um momento em que as portas da UPA
foram vergonhosamente fechadas porque não estavam dando vazão no atendimento,
com apenas dois médicos e grande parte da população doente! Tal fato só comprova
como a desorganização é grande e também como não estão nada preparados para
lidar com a grande demanda, diária. Uma lástima!
Tive que pedir a uma amiga para pegar meu filho na escola e deixar na casa
dela até eu sair de lá! Três amigos cheios de boa vontade e solidários e um sistema nem um pouco preocupado em ajudar! Incoerente assim! E para que contar com tanta boa vontade dos amigos (e
precisar disso) se no lugar onde mais se espera humanidade eu só vivenciei o
oposto? Uma total coisificação do ser humano!
Para minha dormir, ela teve que tomar calmante... de tão chateada e
triste que estava, e com razão! Eu também! Ficamos abaladas, pois não imaginávamos que a
coisa chegava a essa proporção! As queixas da oposição são para lá de justificadas e não há nenhum exagero presente nelas! Infelizmente! Queria, no fundo do meu coração, poder aplaudir e dizer que era tudo mentira, mas... Reforço o coro de que a cidade está um caos!
Estou profundamente DECEPCIONADA com esse governo, que, até agora, não
disse a que veio, ou melhor, até já disse: sua preocupação parece apenas ser
atrair turistas e fazer shows. Eu, moradora desta cidade e cidadã, que pago em
dia todos os meus impostos e cumpro com os meus deveres, EXIJO RESPEITO e que
tentem dar um show (já que tanto gostam) na Educação e na Saúde, especialmente.
O resto é resto.
É inadmissível que coisas como esta aconteçam! Aguardo mudanças
e bastante significativas... e estou pensando seriamente em fazer valer os meus
direitos indo ao Ministério Público, amanhã mesmo, já que hoje o meu dia foi perdido e juntamente com isso perdi boa parte da minha esperança no
ser que se diz humano, mas que parece estar se esquecendo, com frequência,
disso! Uma pena! Não sei aonde vamos chegar... ou melhor, sei, no caos, e é justamente isso que tanto me deprime.
sábado, 2 de março de 2013
Convivendo com as falhas
Preocupação com uma possível greve prestes a estourar na Educação Municipal daqui de Cabo Frio, onde, felizmente, não trabalho, mas me posiciono como mãe de aluno. Meu coração se divide. Entendo a greve como um direito do trabalhador, como uma justa forma de luta, e já fui grevista durante um bom tempo de minha vida, até perceber que ela não é solução para nada, muito pelo contrário: a sociedade, com raras exceções, vitimiza o governo e condena o professorado, e o problema se agrava. Também não encontrei, até hoje, nenhuma outra solução, o que me deixa angustiada e entristecida. Minha forma de brigar nestes últimos anos é da maneira que posso, ou seja, incentivando a criticidade do meu aluno, abrindo-lhe os olhos, tentando ampliar seus conhecimentos, principalmente os de mundo, como cidadão.
Não estou fazendo coro àqueles que veem o professor grevista como um vagabundo, muito pelo contrário, vejo-o com a coragem que eu já tive, antes de Miguel existir, antes de mamãe adoecer, antes de eu virar chefe de família, mas minhas últimas experiências como grevista foram, digamos, frustrantes, massacrantes, com Garotinho, Rosinha e outros diminutivos que arruinaram o nosso estado quando estavam no poder.
Entristeço-me por me sentir meio impotente ao ver que tudo o que cabia a mim como mãe eu fiz! Matriculei meu filho numa escola que considero boa, comprei a mochila e a lancheira que ele tanto queria, me programei de forma a lhe dar, mesmo em meio à correria, atenção e apoio, abri mão de outras oportunidades de trabalho para que isso acontecesse... A minha parte eu cumpri e creio que muitas outras mães também, mas... De que adianta? Basta um gesto irresponsável para fazer tudo isso desmoronar e ficar comprometido. Lamentável.
Como é duro rasgar minhas raízes, arrancar sonhos do meu peito, violentar minha essência, abrir mão das minhas concepções, parir a fórceps a certeza que eu juro que não queria nunca ter: a de que a escola pública está falida e que começo a não crer mais nela... e, por tabela, nem em mim, que fui objeto direto dela e venho tentando ser, ainda que a duras penas, seu sujeito (ativo). De alguma forma, falhei. Falho. E me sentirei falhar ainda mais quando decidir tirar Miguel da escola pública para colocar na particular. Será muito mais do que uma simples mudança de escola, com certeza. Abrirei mão de uma parte muito grande minha, com certeza! E como isso dói!
sexta-feira, 1 de março de 2013
Sorrindo... e só rindo...
Fico boba com certas infantilidades e mais ainda com tentativas frustradas de provocação, de querer ver competição onde não tem, de fofoquinhas para tentar valorizar um passe que não passa de lixo! Sorrio, porque hoje me considero imune a tudo isso. Sigo sorrindo e só rindo mesmo de tamanha patetice!
Nunca alguém verdadeiramente feliz precisou se esforçar tanto para obter convencimentos... Certas coisas só se conseguem com tijolo, suor e cimento, e jamais com palha, viguinhas de madeira podre, e declarações repetidas de amores falsamente eternos. Ó, que terno!
Enquanto isso só rio dos comentários, dos medos, da certeza de que mais cedo ou mais tarde o vento tudo leva, como sempre levou. Há um enjoo da rotina e logo logo o outro também desafina por perceber tanta inconstância e exagero, feito tempestade que chega acabando com tudo e prometendo que veio para ficar, mas, no dia seguinte, a brisa, tão suave e calma, sem nada prometer, consegue naturalmente soprar e mandar a tempestade para longe... e, sozinha, verdadeiramente reinar.
Dou aqui os "15 minutos de fama", só para não bater com a cara na porta e para poder retrucar fingindo que não se importa... só para ele jurar que ainda o ama, ou ainda o espera, ou ainda está de quatro... teorias infundadas que arrancam gargalhadas para lá de sonoras por onde quer que passe, repasse, e que só confirmam o que nem perco mais meu tempo querendo mostrar. Tudo o que se perde tanto tempo querendo sinalizar que é raro e grandioso, explicando o inexplicável, se torna caricatural, soa falso, feito diamante que vem de brinde em qualquer bala mixuruca, totalmente pirata, tal qual a fantasia que se escolheu.
Enquanto se vive retocando sorrisos e narizes, enxugando gorduras, valorizando cabelos e bondade, alimentando-se de ilusão, eu faço a caridade odiosa de apenas investir no que sou. Nunca me importei com a moldura, que, sozinha, não vale nada, e não seria agora. Vou embora experimentando roupas, me divertindo fazendo caras, bocas, cabelo, maquiagem, brincando de ser diva, sem enganar ninguém, muito menos a mim mesma. Sei que cabem em mim várias... e em cada uma delas, acredite, não há nenhum desejo de revisitar historias antigas. Já fechei a porta pro passado e a entreaberta é pro futuro, que só eu decido quando abrir, escancarar.
Enquanto se vive retocando sorrisos e narizes, enxugando gorduras, valorizando cabelos e bondade, alimentando-se de ilusão, eu faço a caridade odiosa de apenas investir no que sou. Nunca me importei com a moldura, que, sozinha, não vale nada, e não seria agora. Vou embora experimentando roupas, me divertindo fazendo caras, bocas, cabelo, maquiagem, brincando de ser diva, sem enganar ninguém, muito menos a mim mesma. Sei que cabem em mim várias... e em cada uma delas, acredite, não há nenhum desejo de revisitar historias antigas. Já fechei a porta pro passado e a entreaberta é pro futuro, que só eu decido quando abrir, escancarar.
O curioso é que a última fala é quase sempre de "amizade", mas, na encenação, para convencer, força-se uma inimizade que não há. Nem amizade também. Há apenas um querer bem, acreditem se quiser. Sou leoa, guerreira, mulher! Sigo em frente sem precisar de ninguém... já conquistei alguns caminhos... não me falta carinho e nem respeito daqueles que realmente me fazem bem. O resto pode passar... passarão... eu passarinho, singelo, como disse Quintana, vou só seguindo... sorrindo... só rindo de tanta imbecilidade e de tão mal traçadas rimas!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Eu labiríntica!
Às vezes me perco em meio a tantas oscilações... Uma parte minha hoje quer voar, mas no outro dia quer se enfiar na toca. Num dia quero virar cambalhotas, feito criança, despretensiosa, ainda que em ruas tão lotadas, para chamar mesmo atenção; no outro, ando tão tímida e recolhida, que pareço, como avestruz, minha cabeça querer enfiar no chão. Há dias em que exagero na pintura e me encharco de blush, sombra, rímel, mas há dias em que não quero nem um batom.
Procuro perambular por caminhos inóspitos... procuro, quase sempre, caminhar na contramão, desviando de um raio ou de um trovão... mas corro, inteira, para a chuva, sem nenhum tipo de proteção. Não há nenhuma chance de me achar, nem de me perder... a não ser em mim. Aceito assim. Sou fonte que jorra e sacia... que respinga em todo mundo e chama atenção... mas às vezes -- muitas delas -- me sinto sozinha, perdida, quietinha e sem jorrar ao menos um grão!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Viu, vi, ver...
Cansada de viver me anestesiando e deixando sonhos adormecidos por puro medo de assassinar um a um. Às vezes o coma pode ser salvador... mas... dispenso-o e tenho estado disposta a pagar para ver... ou melhor, pagar para VIVER. E viver a vida, de verdade, aproveitando todas as cores e sabores que ela nos oferece, o tempo todo, requer disposição e coragem de se sujar e de talvez nunca mais voltar a ser o que era... e sem nenhuma garantia de se ser mais ou menos feliz! Quero viver o risco, todos eles. Às vezes é preciso! E se não for tão salvador quanto o coma induzido, pelo menos é mais animador, inspirador, inspira dor... Cansei de ser robô... cansei do indolor... do bolor... Quero tudo o que é meu, ou o que ao menos pode sê-lo. Há risco. Mesmo assim, arrisco. E CAGUEI para quem criticar...
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Waldemira agora!
Sempre pensei que meu filho fosse seguir os meus passos em sua vida escolar e ficar aaaaaaaaaaanos numa mesma escola, com os mesmos coleguinhas, com os pais todos amigos e com as melhores lembranças do mundo em seu coração! Porém, por alguma razão, sua historia já se faz diferente e vamos ver daqui para a frente.
Deixou para trás a "Iara Coutinho" e agora é na "Waldemira" que segue seu caminho. Outras tias, outros amigos, outras práticas, outra direção, outro espaço para trilhar seus segundos passos nesta longa vida escolar. Que lá seja como um lar e que possa sorrir mais, se soltar mais, sem precisar conviver com gritos, apertos, castigos, provocações, irritações e mentiras.
O espaço físico já é acolhedor, fresquinho, limpo, beeeem diferente do que deixou para trás. O parquinho é bem cuidado, os funcionários mais bem preparados, tudo parece correr bem. Espero que não venham muitas rifas nem muitas explorações. Que as mordidas, se vierem, que venham também com explicações. Empurrões também. Que haja ali respeito, carinho e profissionais confiáveis, que, apesar da dureza diária e do cansaço, não se esqueçam de que deixamos ali nossos maiores tesouros. Que a escola seja, então, baú e não um mero depósito de crianças.
Que Deus proteja todas as crianças, todos os dias, principalmente o trio maravilhoso formado por Miguel, Liz e Arthur. Que ilumine e proteja também todos aqueles que cuidam deles! Que amplie suas amizades e que ele se dê bem com todos os amiguinhos, até com o Erick! Que comemore a volta do João Pedro Cardoso, de quem sempre revelou sentir saudades, e que supere as saudades dos que precisaram se separar, como Guigui, Melissa, JP Motta, Carol... Que curta bastante sua nova escola, filho! Aproveite, meu aprendiz de Homem-Aranha! (risos)
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Impunidade: até quando?!?
Fico triste quando alguém parte, seja conhecido ou não, e fico mais triste ainda quando se trata de alguém tão jovem como a Paulla Carvalho, de 13 anos, que foi mais uma vítima da irresponsabilidade. Não a conhecia, mas choro e sofro como se conhecesse, porque poderia ser minha sobrinha -- que tem quase a mesma idade --, poderia ser minha aluna, minha vizinha... Fico perplexa por ver que ela representa uma geração cada dia mais sem limites e que insiste em querer queimar etapas e "amadurecer" da dia pra noite (apenas fisicamente).
Hoje agradeço à minha mãe quando eu, com 15 anos, só podia sair na companhia de um adulto ou então chegar em casa, no máximo, até meia-noite, e ai de mim se passasse um minutinho! Era castigo na certa! Mesmo assim, ela marcava em cima, queria saber quem iria, onde iria,
quem iria nos trazer, e tudo isso numa época em que nem se tinha a
vantagem de ter celular! Ainda bem que ela teve pulso para me dizer mais "não" do que "sim", porque, como toda adolescente, eu também queria ser "dona do meu nariz" e fazer o que me desse na telha. Não fazia meeeeeesmo! E o nariz nunca foi meu!
Sinto-me submersa em várias indagações... e a maior delas é: Quem teve culpa, afinal?!? Se foi quem dirigia bêbado e foi irresponsável; se foi a própria Paulla que, deixando a criança aflorar mesmo num corpo de bem mais mocinha, se deixou empolgar e ficar em pé no carro com teto solar e dirigido por um "tio" bêbado, pensando que nada pudesse lhe acontecer; se ela foi abusar da liberdade excessiva que seus pais lhe davam; se seus pais erraram ao permitirem que uma criança estivesse na rua às 5 da manhã em pleno carnaval e na companhia de estranhos; se a polícia foi conivente ao não apurar, sabe-se lá por que motivo, devidamente os fatos; se a mídia se silenciou a fim de proteger sabe-se lá quem; se Cabo Frio não queria que esse acidente horroroso manchasse a fama de um "carnaval perfeito e calmo"; se o Conselho Tutelar deveria deixar de fazer "vista grossa" e passear de vez em quando nos points da moçada para ver quantos adolescentes da idade da Paulla estão ali vendo o dia amanhecer, bebendo, se drogando, se prostituindo, transando...
A grande verdade é que todos nós, direta ou indiretamente, temos culpa!!! E a temos porque não nos indignamos como deveríamos ao ver nossos jovens fazendo tudo isso, porque acabamos achando tudo normal, porque aceitamos que o mundo incentive mais a se aproximarem da vaidade e dos shoppings do que de Deus e do amor a si mesmos e à vida, essa vida (mais uma!) que hoje escorreu pelos dedos! O turista foi embora com a sensação de aqui tudo é perfeito... e nós ficamos com essa dor, imensa, com essa sensação amarga de impotência! Até quando, meu Deus?!? Até quando?!?
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Mais um divisor de águas...
Finalmente consegui assistir a "Como estrelas na terra - Toda criança é especial", que eu já paquero há anos e que veio de longe, pelos Correios, enviado pela minha amiga Zizi Casemiro, já há alguns meses, mas só hoje, por alguma razão, consegui ver!
Chorei, porque infelizmente me vi no discurso autoritário de alguns professores, ainda mais quando comecei a lecionar, ainda muito nova, e cobrava mais dos meus alunos do que hoje acho que deveria, ainda que bem intencionada e não meramente por tirania. Chorei, porque é triste fazerem comparações entre um filho e outro, desconsiderando que cada um é único, sempre, graças a Deus. Chorei, porque vi como tem faltado mesmo sensibilidade no mundo, para perceber a grande diferença entre preguiça e doença. Chorei por puro medo de não ter sabido enxergar tal diferença em alguns momentos da minha vida.
Chorei por ver tanta ignorância por parte dos pais, tanta incompreensão, tanto medo de lidar com o diferente. Chorei por acharem que o diferente vale menos, quando, na verdade, ninguém vale mais ou menos que ninguém, nem com relação a si mesmo e com o que se esperava que fosse. Chorei por de repente não ter sabido encontrar em alguém as habilidades que se tinha e por ter rotulado por não ter encontrado as que eu procurava.
Chorei por pena de ver um menino que precisava tanto de ajuda e compreensão e ganhou ficar distante da família, recebendo solidão em vez de abraço, bronca em vez de carinho, palmatória em vez de ajuda. Chorei porque ninguém entendia seus momentos de revolta... de angústia... Chorei porque também já me senti assim e sei o quanto dói sermos hostilizados quando, no fundo, sedentos, cansados, imploramos, ainda que silenciosamente, por amor. Chorei porque já devo ter matado muitas pessoas-árvores com palavras de desprezo, raiva, amargura, ódio momentâneo, vingança, me esquecendo do quão poderosas são as palavras! Chorei porque muitas vezes elas me fizeram suicida!
Mas também chorei quando souberam OLHAR para ele, verdadeiramente, e se reconhecer nele... de buscar soluções... de acolher... de acreditar em vitória... de querer fazer algo... de precisar fazer a diferença! Chorei quando vi a obra de arte que o menino produziu e que o levou da condição de demente a gênio, de fracassado a vitorioso!!! Chorei, mais ainda, quando o professor retratou esse menino sorrindo, profetizando que se pode, sim, transformar dor em alegria! Choro por querer saber ser esse professor, fazendo pelo meu aluno o que eu, como mãe, gostaria que fizessem com meu filho! Tudo, e mais um pouco.
Impossível assistir a esse filme e continuar sendo a mesma... Ainda bem, Senhor! Obrigada aos meus amigos Márcio Carvalho e Jaqueline Barboza, por terem dado, mesmo sem saber, o pontapé que faltava para eu encontrar tempo para fazer esse "encontro" acontecer!!!
Chorei, porque infelizmente me vi no discurso autoritário de alguns professores, ainda mais quando comecei a lecionar, ainda muito nova, e cobrava mais dos meus alunos do que hoje acho que deveria, ainda que bem intencionada e não meramente por tirania. Chorei, porque é triste fazerem comparações entre um filho e outro, desconsiderando que cada um é único, sempre, graças a Deus. Chorei, porque vi como tem faltado mesmo sensibilidade no mundo, para perceber a grande diferença entre preguiça e doença. Chorei por puro medo de não ter sabido enxergar tal diferença em alguns momentos da minha vida.
Chorei por ver tanta ignorância por parte dos pais, tanta incompreensão, tanto medo de lidar com o diferente. Chorei por acharem que o diferente vale menos, quando, na verdade, ninguém vale mais ou menos que ninguém, nem com relação a si mesmo e com o que se esperava que fosse. Chorei por de repente não ter sabido encontrar em alguém as habilidades que se tinha e por ter rotulado por não ter encontrado as que eu procurava.
Chorei por pena de ver um menino que precisava tanto de ajuda e compreensão e ganhou ficar distante da família, recebendo solidão em vez de abraço, bronca em vez de carinho, palmatória em vez de ajuda. Chorei porque ninguém entendia seus momentos de revolta... de angústia... Chorei porque também já me senti assim e sei o quanto dói sermos hostilizados quando, no fundo, sedentos, cansados, imploramos, ainda que silenciosamente, por amor. Chorei porque já devo ter matado muitas pessoas-árvores com palavras de desprezo, raiva, amargura, ódio momentâneo, vingança, me esquecendo do quão poderosas são as palavras! Chorei porque muitas vezes elas me fizeram suicida!
Mas também chorei quando souberam OLHAR para ele, verdadeiramente, e se reconhecer nele... de buscar soluções... de acolher... de acreditar em vitória... de querer fazer algo... de precisar fazer a diferença! Chorei quando vi a obra de arte que o menino produziu e que o levou da condição de demente a gênio, de fracassado a vitorioso!!! Chorei, mais ainda, quando o professor retratou esse menino sorrindo, profetizando que se pode, sim, transformar dor em alegria! Choro por querer saber ser esse professor, fazendo pelo meu aluno o que eu, como mãe, gostaria que fizessem com meu filho! Tudo, e mais um pouco.
Impossível assistir a esse filme e continuar sendo a mesma... Ainda bem, Senhor! Obrigada aos meus amigos Márcio Carvalho e Jaqueline Barboza, por terem dado, mesmo sem saber, o pontapé que faltava para eu encontrar tempo para fazer esse "encontro" acontecer!!!
Acróstico do mais puro amor
Meu filho amado,
Ilumina todos os meus dias
Guardo em você sonhos...
Ungido por Deus,
Esperanças que se renovam
Lua e sol num só ser!
Garoto arteiro, lindo e perspicaz
Arcanjo dono do meu coração
Risonho e puro
Coração maior do que o mundo.
Imaginação pra lá de fértil
A minha melhor canção!
Felicidade em mim habita
A você dedico cada linha
Responde com um sorriso
Inigualável, incomparável...
Amor puro, grande, incondicional!
Dou graças a Deus por tê-lo
Adoçando e justificando minha existência!
Reina em cada pensamento:
Ordena,
Consente,
Harmoniza,
Abençoa!
Salva,
Ilumina,
Liberta.
Vela sonhos,
Esperanças,
Ilusões,
Razões...
A maior delas é amar você, sempre!
Mais um mês de vida! 3 anos e meio! Que continue com essa força interior maior do que a do Super-Homem! Eu e a vovó Cléa amamos demais você! É tudo para nós!
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