domingo, 20 de janeiro de 2013

Outra carta perdida no tempo...


Miguelito,

Já não somos mais tão estranhos (apesar de nos entendermos pelo olhar desde o seu nascimento) e já começo a diferenciar cada choro seu, embora todos eles provoquem em mim também um choro, alguns meio internos e aparentemente silenciosos, ao contrários dos seus, sempre tão sonoros! Apesar do cansaço (imenso), sinto-me em paz e renovada a cada amanhecer  (mesmo sem conseguir dormir). Como Deus foi bom para mim ao permitir que você viesse e cheio de saúde! 

Agora sei que nunca mais me sentirei só, aconteça o que acontecer! E talvez seja por isso que a perda da nossa identidade não nos provoque susto nem medo nem vem carregada de ameaças! A Andreia não tem se importado de ser apenas "a mãe do Miguel" e vê a aparente limitação como, na verdade, uma ampliação, já que você ser meu é apenas consequência de eu ser sua antes mesmo de você existir!  Complexo e curioso isso! Ser mãe é um título que nunca nada nem ninguém nos rouba! Nem mesmo a morte! É eterno... 

Ter você ao meu lado é sempre uma festa e será sempre um eterno motivo de comemoração, por isso, simbolicamente, pretendo fazer a cada mês de vida um bolinho para lembrar o quão importante e desejado você é, filho, e quanta alegria me traz, tanta que mal cabe em mim! Se Deus assim permitir, serão, como hoje, mais 11 "mesversários" a serem comemorados! E espero que curta cada um deles, mais e mais a cada mês! Será uma forma de mostrar o quanto o dia 14 se tornou especial e marcante em minha vida, por ser o dia que Deus escolheu para você vir ao mundo, ao meu mundo! 

Que esta festinha seja uma maneira de acompanharmos seu crescimento, sua evolução, registrarmos e eternizarmos esses momentos (como se eu precisasse de justificativas para bater inúmeras fotos suas, né?). 

Enfim, parabéns, arcanjo da mamãe, pelo seu primeiro mês de vida! Amo você, meu pequeno grande príncipe, razão do meu viver! 

Com carinho, 

Mamãe Dedéia 
14/09/2009

Uma carta perdida no tempo...


Miguel... Miguel...

Seu nome é tão doce feito o mel... e como faz bater disparado o meu coração quando o ouço, até mesmo quando não está se referindo a você!  Agora tenho absoluta certeza de que possuo um anjo em minha vida, já fora de mim, mas que continua ecoando (agora até mais) em todos os meus cantos, em minha alma! 

Durmo e acordo pensando em você... vivo apenas para e por você... e como sinto medo de falhar como mãe, de não entender suas necessidades, suas vontades, suas dores... Porém, sei que você é bonzinho e vai me ensinar tudinho, no momento certo! E em pensar que ainda tem gente que se ilude por pensar que a mãe é que ensina à criança... Tenho tanto a aprender com você, esse ser que me ilumina os dias e que deu total sentido à minha vida! Como sou grata a você! 

Peço-lhe desculpas, antecipadamente, pelos possíveis momentos de exaustão, nervosismo, medo, angústia, erros! Mãe também erra, e como! Que você possa, queira e saiba me perdoar, filho, de coração, a começar por eu ter sido mãe meio tarde (ainda mais na visão do seu pai), pois, mesmo sabendo que tudo acontece na hora certa, choro por pensar que de repente isso irá nos roubar alguns anos de convivência... assim como "roubou" a chance do seu vô Antônio de conhecê-lo e de realizar o sonho de ser vovô de um menino, numa família tão cheia de xoxotas! (risos e lágrimas misturados) Sei, porém, que tudo tem um porquê e que não foi mera coincidência ele ter partido em setembro e logo depois a mamãe ter engravidado de você! É a grande bondade e generosidade de Deus e sua mágica lei das compensações! Ele não poderia ter encontrado melhor forma de amenizar um pouco as saudades e a tristeza da perda, especialmente da sua vó Cléa! 

Sei que sua maneira de olhar me é familiar... percebi isso desde o primeiro instante em que bati os olhos em você, assim como também sei de onde vem essa bolinha que você tem no queixo! É um jeito especial de sentir o vovô mais próximo, ainda com a gente, sem tanta dor! Como você pode ver, filho, e um dia também vai entender, você já nasceu com uma responsabilidade enorme: a de salvar uma vida, aliás, várias! E fez isso com êxito! Parabéns! E a mamãe sabe que isso é só o começo! Sinto e profetizo, com toda a minha autoridade de mãe, que você será motivo de muitas alegrias,  sempre, por ser um  anjo especialíssimo que Deus mandou de presente para nos acompanhar, guiar, cuidar! E vice-versa! 

Portanto, seja bem-vindo, amor da minha vida, e espero que goste sempre de estar entre nós! 

Com amor, 

Mamãe Dedéia 
18/08/2009

Em busca do equilíbrio!


Esta mensagem da sábia Madre Tereza muito tem me animado e tenho tentado me apegar firme nela. Estar prestes a retornar à rotina das escolas, ônibus, Miguel na escola... sinto minha paz roubada, antecipadamente. Talvez precise voltar a tomar meus remédios... preciso voltar ao psiquiatra e continuar fazendo terapia! 

Tenho (re)encontrado muita coisa em mim, porém, no caminho da busca, sinto que também perco muita coisa e que noto que muitas delas são necessárias à minha essência, ao meu caminhar. Preciso equilibrar o achar e o perder, filtrar, ter sabedoria. Só assim serei feliz! 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Viva as larvas!


Muita gente deveria ler ou ler mais "O pequeno príncipe", que é atemporal, e sempre traz importantíssimas lições! Vira e mexe eu releio e vejo o filme. Miguel já conhece e adora a "rapousa"!!!

Cada dia mais as pessoas querem tudo pronto, e não querem ter trabalho nem suarem a camisa para conquistarem as coisas, as pessoas, nada! Tudo inevitavelmente é sacrificante às vezes, e aprendi a ver o lado bom disso, que é testar o quanto queremos algo! Desistir ou insistir é uma espécie de termômetro, que raramente falha. Sinaliza tantas informações... Basta estarmos atentos! 

Tenho convivido muito com as larvas e, cá para nós, bem mais do que duas ou três... Aprendi a gostar delas! E não visando conhecer as borboletas, embora isso também me encante, mas porque tenho me esforçado para tentar conviver da forma mais harmoniosa possível com o que antes me desagradaria. A vida fica mais leve assim! Muito mais leve! 

Acróstico da saudade


Amado pai,
Não consigo conter as saudades!
Todo dia penso no senhor
Oro para que esteja em paz.
Nunca o esqueci e
Imagino como é tudo aí,
Onde quer que esteja.

Faço o que posso para seguir,
Rindo ou chorando,
Amenizando a tamanha dor da perda,
Nunca desanimando de vez.
Coração no senhor, que
Ilumina e ajuda a mostrar o caminho.
Sei que gostaria de ver e
Conhecer seu neto e elezinho o senhor,
Ou até, quem sabe, já se conhecem e nem sei, limitada que sou!

Com amor e saudades...
79 anos hoje! Tem bolo/pudim aí no céu!

4 anos sem pudim!


Esta data, para mim, está intimamente associada a cheiro de calda de pudim...

Por ser a sobremesa preferida de papai -- logo seguida pelo doce de carambola -- todo ano em vez de bolo, no seu aniversário, tinha que ter pudim!  
Cresci assim, cercada por associações! E são muitas em se tratando dele: joguinhos de computador, jornal, revistinha de palavras cruzadas, gráfica, Nelson Gonçalves, cigarro e cachaça, não necessariamente nessa ordem.

Lembro-me de papai brincando com nossa gata Sofia, com folhas de coqueiro, e ela toda serelepe, duas crianças! E é aí que me dói não ter tido a chance de ter a lembrança de vê-lo brincando com o neto que tanto queria... Estranho sentir saudades de momentos que não tivemos!

Lembro-me de nossas idas ao INCA e é cada aventura vivida em parceria que certamente daria um livro, assim como também foram muitos os pastéis com caldo de cana na vinda para casa! 

Apesar das nossas discussões, sempre por conta do cigarro e da cachaça, nunca senti vergonha do meu pai nem guardei dele qualquer tipo de mágoa. Sei que ele também não. Meu coração sente. E se alivia e até se alegra, mesmo o dia sendo, agora, triste.

Penso em papai e me lembro da última foto tirada dele, poucos dias antes de partir. Sorrio. Parece vivo ainda. E está. Impossível me esquecer da sua cabeça colocada por ele mesmo no meu colo para que eu lhe fizesse cafuné... e lhe falasse não mais palavras de encorajamento, mas de aceitação, de conforto, de fé em Deus! Ambos sabíamos bem que ali era a nossa despedida, tamanha cumplicidade adquirida!

É, já são 4 anos sem meu corpo comer pudim neste dia, mas já minha lembrança... aahhh, se lambuza!

Saudades que só crescem, pai, e meu amor também!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cochilo


Olho enquanto você dorme
Parece um anjo, consolador.
Cílios descansam,
Há um sorrir de leve
E seus cachos dançam com o ventilador.
Paz enorme você me traz
e um querer saber conter
tanto, tanto, tanto amor! 

Amo você, filhote!

Alívio: eu sei contar!

Por curiosidade, resolvi colocar no papel os nomes das pessoas com quem já me relacionei! Incluí na lista cada selinho, cada beijo, cada amasso, cada transa... Não deixei ninguém de fora, por acreditar que cada qual me acrescentou algo. Sempre se acrescenta, quando queremos enxergar! Numa agenda antiga, fui ver se a nova lista batia! Resultado: um ou dois erros na ordem (cronológica), dois acréscimos e um coração já refeito, mas não a ponto, ainda, de procurar nada sério. Sim, acredito piamente na diferença existente entre procurar e encontrar, e a prova disso é que NUNCA saí desesperadamente utilizando Badoos e afins para encontrar 299 cara-metades por ano e ver todas elas, rapidamente, passarem de verdadeiros amores a grandes erros!

Todo relacionamento meu aconteceu... sem procurar... de forma totalmente natural... Com novas historias, com novas declarações, com novos sonhos, com novas músicas, com novas promessas... Nunca precisei abandonar nada pelo caminho (nem aceitaria isso!) nem viver de reprises (até relacionamentos requentados, sem tirar a importância deles, foram outros em cada momento, graças a Deus!). Sou outra, o outro também, e o momento mais ainda, sempre...

De tudo isso, uma só palavra resume: Alívio! Sei contar! Minha conta, felizmente, sempre bate e quando não... é ordem crescente, e não decrescente! Não apago nenhuma testemunha dos meus possíveis erros! Não acredito que relacionamento para contar precise ter gerado frutos! Não faço teatro nem para convencer quem é próximo a mim, amigos, familiares, até porque são pessoas esclarecidas o suficiente para perceberem quem errou mais ou menos, se isso fosse uma competição. Não cito nomes de defensores que não merecem credibilidade, tamanha cegueira, e que capazes de distorções espantosas que vimitizam pit bulls ferozes e estraçalhadores e culpam dóceis poodles que, claro,  colocaram o pescoço na boca dos seus assassinos! 

Já fui poodle, já fui pitt bull, já devo ter sido a primeira na lista de alguém, ou a última, ou nem constei... Por pouco não consto na reduzida lista de relacionamentos naufragados, se fosse mais fácil esconder um filho! E o que isso importa?!? O importante é saber caminhar sem desmerecer cada historia, longa ou breve; sem precisar esconder A ou I ou M ou J ou V ou Z; e que, embora torça para que a atual seja finalmente a última, considerar toda a lista como verdadeira e valiosa!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A minha cara!


O louco

Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo
e notei que todas as minhas máscaras
tinham sido roubadas
As sete máscaras que eu havia 
confeccionado e usado em sete vidas
e corri sem máscara pelas 
ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim
e alguns correram para casa, com medo de mim
e quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado de um casa gritou:
"É um louco!"

Olhei para cima, para vê-lo
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua.
E minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras
E, como em transe, gritei:

"Benditos, benditos ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.

E encontrei tanta liberdade
como segurança em minha loucura:
e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele desigual que nos compreende
escraviza alguma coisa em nós.

(Khalil Gibran)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Minha alma também é corsária!

Graças a um amigo, da época de escola, que reencontrei via Facebook (viva a tecnologia!), descobri a Claudia Roquette-pinto e posso dizer que foi amor à primeira leitura! Identifiquei-me com vários de seus escritos... mergulhei em muitos deles, mas... Ahhh, foi  com a "Alma corsária", especialmente estes versos, que ela me ganhou de vez! Me fisgou! Virei automaticamente fã! Talvez por eu também ter inveja das águas, por não saber onde começo e onde termino... talvez eu nem tenha, ainda, começado pra valer, e estou, portanto, tão longe de terminar... 

Talvez a identificação tenha sido tão plena por eu também me sentir engolida pelo mundo (e às vezes tenho a sensação de que sou maior do que ele e é ele que mora em mim), por viver sofrendo assédio de tudo o que me toca, por eu viver me apaixonando por casos perdidos, por eu, enfim, ter a alma meio corsária...



"Por tudo isso é que eu me perco
em coisas que, nos outros,
são migalhas.
Por isso navego, sóbria, de olho seco,
as madrugadas.
Por isso ando pisando em brasas
até sobre as folhas de relva,
na trilha mais incerta e mais sozinha.

Mas se me perguntarem o que é um poeta
(Eu daria tudo o que o que era meu por nada)
eu digo.
O poeta é uma deformidade."

(Claudia Roquette-pinto)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Viver de chutes


Gostaria de saber por que as pessoas necessitam tanto de certezas, por que precisam tanto estar tão decididas em alguns momentos, ainda que falsa ou erroneamente. Já eu nunca me lancei á inércia ou evitei tomar uma ou outra decisão só porque estava meio indecisa. A indecisão faz parte, e até conforta às vezes! 

Não entendo o porquê de se deixar tanta questão em branco... deixando a incerteza cegar... reinar... a ponto de anular seu sexto sentido e impedir de vir o sétimo, o oitavo, o nono... o novo, enfim! Eu gosto de me perder em mim, no não, no sim, de me situar entre o sempre e o nunca, fazendo a maior bagunça em meu ser! Sem vergonha, sei ser e não ser... abraçando ambos com igual prazer! Não me importo de oscilar; de gritar, de me silenciar; de arriscar...!!! 

Que venham os erros, os desenganos, os prantos... Planto e rego cada semente de indecisão...  e, mesmo com um pé (ou dois) atrás, preparo o chute e miro o alvo.... e olha que muitas vezes só chuto, sem mirar. A salvação está mesmo é no chutar, no verbo, na ação! Disso não abro mão... nem pé e muito menos coração! Pelo menos não me atrofio... Um dia acerto... ou não. .

Coisa de (c)alma...


Tenho notado muita carência entre as pessoas, e não me refiro só às que estão sozinhas não, e sim às  casadas ou que namoram há anos. Nunca vi o mundo tão pobre em questão de amor, de carinho, de atenção! E olha que são muitos os beijos na boca, os abraços, os amassos e até as rapidinhas em lugares que nem precisam mais ser desertos... e tudo isso sem nem escandalizar, já que o povo se acostumou e até gosta de olhar, como num BBB mais próximo! 

Longe de mim ser hipócrita ou retrógrada, mas nada disso faz a minha cabeça... não preenche o meu ser... deixa ainda mais vazio o meu coração! Não gosto de me sentir usada nem de usar... não consigo, embora já tenha tentado, ser e ver o outro como descartável... e o "lavou, tá novo" nunca vai fazer a mágica de deixar zerado, sem dores, sem mágoas... O ser humano traz marcas, do que viveu, do que não viveu, e principalmente do que mais tentou esquecer. 

Não quero relacionamentos miojos, prontos com rapidez.. Minha fome é grande, mas quero o requinte, quero o demorar para fazer, com cuidado e empenho, olhando a receita... para que nada dê errado (mesmo sabendo que vai dar -- que alívio!). Entendo perfeitamente Neruda! Preciso de encantamento... de paixão... de admirar o outro com um entusiasmo de quem acabou de descobrir a pólvora... e sentir que, apesar de existirem flores tão mais lindas, eu sou única, a escolhida! E vice-versa! 

Sinto-me uma alienígena num mundo em que só o corpo conta e não se fala mais em alma, quem dirá querer entendê-la! Leva tempo... tem que ter uma calma de que o ser humano em sua correria diária  não dispõe... Mas eu quero entender... e a começar pela minha... para poder desenhar para o outro uma espécie de mapa... cheio de atalhos... É a única facilitação que permito, por ora! 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

3 anos e 5 meses


"Quero sua risada mais gostosa, 
Esse seu jeito de achar 
que a vida pode ser maravilhosa..."

Quando olho para você, filho, como eu gosto do que vejo: uma criança perspicaz, curiosa, sensível, articulada, e, principalmente, carinhosa com todos os que a cercam! Vejo a forma encantadora como você cuida da vovó, com suas preocupações com o que ela pode ou não comer e com suas proibições (até meio bravas!) por ela ser diabética! Morro de rir quando percebo o que vem por trás da sua pergunta se um determinado biscoito é doce ou salgado... e quando digo que é de sal você sai disparado para compartilhá-lo com a vovó! Acho lindo ver você querer dar cada comprimido na boquinha da vovó... 

Ontem fiquei super orgulhosa quando vi você dar um pedacinho da sua mariola para cada amiguinho seu,  o que gerou um comentário da tia de um: "Nooossa, como ele é bonzinho!" Bonzinho sim, e também suuuuper divertido, pois rouba a cena por onde passa e ontem arrasou dançando, sem nenhuma vergonha, o "vodca, água de coco, para mim tanto faz..." (risos)

Agradeço toda a sua preocupação quando estou com cólica ou com aquela dor de cabeça fortíssima, e  você prontamente colocando minha cabeça em seu colo, me dando Neosaldina e um belo de um cafuné, que, cá pra nós, é muuuuuuito mais eficaz do que o remédio! Comove-me quando você enxuga minhas lágrimas e como me diverte quando você diz que quer comer "alguma besteira da geladeira" no meio da noite e eu, cheia de preguiça, digo que estou cansada e você diz que me leva no colo... 

Adoro seus comentários quando gosta de alguma roupa e de alguma sandália minha e diz que eu estou linda, maravilhosa, charmosa... Adoro quando pega a escova e vem pentear meus cabelos, mesmo embolando-os ainda mais e cismando de fazer "o penteado do Neymar"... Adoro até quando implica comigo e, ciumento, diz que não gosta que eu dance! Adoro quando diz que me ama e faz um monte de cartinhas e de desenhos para mim, assim como quando tenta improvisar historinhas e imitar o meu jeito de contá-las! 

Não sei mais viver sem ver as suas havaianas colocadas ao lado das minhas no tapete do banheiro... nem sem os sorrisos que você lança quando está se divertindo com o Sid, lá no fundo do quintal, e com suas orações quando o Zac estava doente e longe da gente, e todo dia você queria ir comigo visitá-lo, como se fosse uma espécie de curandeiro... E é, filho, você me cura a cada dia e me faz querer acertar 99% das vezes como mãe e como ser humano. Você me transforma e cada dia que eu penso que atingi o grau máximo de amor e gratidão por você, você vai lá e mostra que ainda tem mais, e mais, e mais... sempre! Obrigada, pois graças a você eu sei que a vida pode mesmo ser ma-ra-vi-lho-sa! 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Uma porta aberta...


Fotografar sempre me atraiu... e, com o passar do tempo, isso tem se agravado! Quanto mais eu vivo, mais portas eu sei que podem existir, cada uma delas fazendo irrecusáveis convites de "me abra"... e quem sou eu, curiosa assumida que sou, para recusar!?! Fotografias também são portas... uma mais interessante que a outra... tantos ângulos, leituras, percepções... 

Há tempos já perdi a conexão com o que fará sentido para o outro e meu egoísmo me permite ser livre ao desbravar mundos que podem ser só meus... olhares que só emocionam a mim e a mais ninguém... Um belo que é feio para todos, um lindo que não faz meu coração bater de forma diferente de modo algum! Enfim, me apaixono pelo comum... que de tão comum incomum se torna... 

Gosto de sapatos aparentemente esquecidos na areia, ou em canoas... acariciados pela brisa e pelo roçar dos grãos de areia... dançantes... à espera de um possível retorno.... ou não... ele já pode estar até feliz por descansar depois de tanto pisar o chão... o não... o sim... esmagar o cigarro e o talvez... Ele pode ter virado onça e ter exigido até aposentadoria...  

Enquanto todo mundo ia atrás de algo encantador e diferente, eu perdi, ou melhor, ganhei horas ali simplesmente fitando o singelo e inocente par de sapatos e suas tantas possibilidades implícitas... Viajei nele, pisei nele, fui sua dona e fui ele... e saímos dali, no mínimo, cúmplices! Que delícia! 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Chafariz de saudades


Saudades da menina que brincava de se esconder entre cada cachinho meu! Saudades de ter tempo para deixar o meu olhar perdido assim por alguns instantes! Saudades da doida que ousava mudar a cor dos cabelos e que não tinha vergonha de sair com eles roxos, vermelhos e até laranjas! Saudades da adolescente que não queria nunca casar e tinha tanta certeza disso que até me assustava! Saudades da mulher que mudou de opinião sem medo e foi se casar acreditando que seria "para sempre", sem nem suspeitar de que isso poderia chegar tão depressa! 

Saudades de quem acreditava em mudanças homéricas e que existia até príncipe encantado! Saudades de sair todo dia munida de regador e com uma animação tão grande para regar sonhos (até os que ela sequer ainda tinha!)! Saudades de caminhar descalça sem me lembrar  das inúmeras vezes em que um caco de vidro e um prego feriram meu pé! Saudades de sentir que, mesmo com o tempo passando velozmente, como hoje, eu tinha ainda tanto tempo para fazer tudo o que eu queria! Saudades... inúmeras... cortantes e constantes... 

Só não sinto saudades de algo que já me fazia (tanta) falta (sempre) e eu não fazia nem ideia disso -- de ser mãe, e justamente do Miguel, que é o cara mais apaixonante deste mundo e de todos os outros!