sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Deus: Juninho!


É com muita tristeza que venho aqui escrever sobre essa figura incrível que foi e é Juninho: inteligente, brincalhão, amigo, alegre (mesmo nos momentos de sofrimento e de dor eu jamais o vi sem um sorriso no rosto, seu cartão de visita!), excelente companheiro (sei que muito feliz fez minha amiga Márcia), um pai maravilhoso para as cinco meninas que deixa (Raquel, Isabel, Rute, Natália, Carol), ótimo filho, sobrinho e primo querido por todos, amigo de muita gente que sei que hoje, como eu, chora e ora por ele, não necessariamente nessa ordem!

Tive a honra de tê-lo, mesmo que por pouco tempo, como meu professor de Matemática no Miguel Couto e lembro-me de que suas aulas eram pra lá de engraçadas, sem falar que era impossível não entender suas explicações, entre uma fungada e outra. Depois, tive a chance de tê-lo como colega de trabalho na FERLAGOS (onde até hoje não sei se trabalhamos ou se zoamos mais) e aí logo a sua historia com a de Marcinha se misturou... e nunca mais se separaram!

Passaram, juntos, por algumas turbulências, incompreensões, lutas, perdas, dores (acompanhei algumas delas, ainda que nem sempre de perto), mas também receberam muitas conquistas, vitórias e bençãos, sendo a tão sonhada e esperada Carol a maior delas, tenho absoluta certeza! 

Acabei, quem diria, por ironia do destino, fazendo parte de sua família, dando à Carol seu priminho  Miguel, e foi graças a ele que eu pude estar presente no nosso último encontro: festinha da sua filhota e também dia do seu aniversário, o último entre nós. Hoje entendo o porquê de eu ter sentido um certo clima de despedida (antecipada). Só hoje entendo cada lágrima que caía quando eu, debruçada no murinho da "Casa da árvore", o via voltando a ser criança brincando com suas filhas! Não o vi mais depois disso, mas está há tempos em minhas orações e estará sempre! 

Muita gente estava orando fortemente nestes últimos dias e, claro, apostando que, mais uma vez, você, forte, destemido e guerreiro, sairia desta e venceria a doença, alcançaria a cura, mas... Deus tinha outros planos e que estão acima do nosso humano e limitado entendimento! É a hora da partida, que implica em dor, tristeza, saudade... e é chegada a hora de dizer "até logo" e de pedir conforto para os que ficam. Hoje, sei que não são poucos os que choram... Você marcou de forma especial a vida de cada um! Fez historia! Uma historia linda e intensa! Portanto, descanse em paz, meu amigo, e não se esqueça de levar sua inseparável pochete, porque todo o resto você tem pra lá de sobra, dentro de você! Feliz caminho novo! 


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Segurança de mim mesma!

Em 2012, confesso que estive bastante ausente não só daqui do blog, mas como meio que de mal com a escrita e até comigo mesma. Foi um ano de lutas e por isso meio que me silenciei, na marra, já que tudo parecia estar sem foco e se eu falava "alho" entendiam "bugalho". Cansei das incompreensões... desisti de lidar com elas, tão estressada e ferida eu saía sempre!

Este ano algo mudou... A tempestade não me assusta mais por eu já saber transformá-la em brisa... e numa brisa que acaricia meus cabelos, minha alma, meus dedos... dão um Norte a eles, ainda que para muitos seja um Sul... Aprendi a lidar com as diferenças e não há mais nenhuma necessidade de convencer ninguém de nada... nem a mim mesma!

O resultado é que, num só mês, postei o equivalente a todo um ano, no ano passado. Mesmo não tendo (re)aprendido a cantar, solto meus grunhidos e dane-se quem acha feio, estranho ou desafinado. Já passei da fase de pensar no que vão pensar de mim... até porque pensam até mesmo quando me silencio. Que pensem à vontade então! Não posso impedir... nem tento mais... nem quero mais... Aprendi o essencial: posso, sim, impedir de que o que pensam sobre mim (sendo ou não verdadeiro) me atinja. Sensação boa de autoproteção! Nem preciso de seguranças, afinal, tornei-me, a duras penas, segurança de mim mesma. E nisso não falho mais! Palavra! 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vem aí o arco-íris...


Mesmo longe, já avisto o arco-íris, e ele é lindo, com todas as suas cores pra lá de nítidas... Uma estranha leveza em mim se instala e sinto meu ser rodopiar feito bailarina em dia de show, segura após tantos ensaios. Já não há o medo de que chova, porque já aprendi que a chuva em nada atrapalha, quando ela é externa e só molha o corpo. Já saí de casa em tantos dias ensolarados, erroneamente acreditando que tudo seria perfeito, e sem notar que a única ameaça era eu totalmente nublada por dentro... 

Hoje, se chover, aproveito a chuva para molhar o corpo e a alma... para regar todas as minhas sementes... para dançar dentro das poças e dos possos, muito mais do que os não-possos da vida! Curiosamente tenho me permitido poder tudo. Tudo e mais um pouco. E só pode ter essa estranha certeza aquele que se choveu tanto! Benditas chuvas! Todas elas! 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Carta à presidente Dilma

Confesso que quando vi a presidente Dilma chorando, emocionada, ao falar do incêndio de Santa Maria, fiquei com os sentimentos meio divididos. Foi uma espécie de repeteco do sentimentalismo petista do Lula, com um toque feminino, que, por ser mãe, dá novas cores a tudo, e pensei no idiota do FHC, duvidando que ele derramasse uma lágrima, como o sociólogo que nunca enxerguei nele. 

Também me sinto revoltada com o monte de coisas erradas neste mundo, com as permissivas conivências do Governo, suas inúmeras falhas, mas, apesar de não conseguir ser assim tão incisiva com a Dilma, entendo muuuito de tudo que vem nesta carta-desabafo, de uma cidadã comum (e não menos importante) como eu e você, que faço questão de aqui compartilhar. Só quero lembrar que tem muita gente que  ganha um péssimo salário e nem por isso se torna subornável... muito pelo contrário, ouso falar que quanto mais se ganha, mais suscetível se parece ficar a esse tipo de coisa... Enfim, que venham as reflexões...


"Engula o choro, presidente. Engula o choro ao falar da tragédia de Santa Maria. Engula o choro e todos os problemas deste país que nele estão escancarados. Engula que o medo do segurança de ser demitido neste país é maior do que sua consciência de deixar as pessoas saírem sem pagar suas contas para não morrerem. Engula a soberba dos donos de empresa desta nação que não estão nada preocupados com pessoas como eu e até mesmo como a senhora, porque estão focados demais em lucrar, e preferem fechar as portas como numa câmara de gás a ter prejuízos. Engula a pressão que todos os seus funcionários sentem todos os dias. Engula que para arcar com seus altíssimos impostos, todos eles dão um jeitinho bem brasileiro de se desviarem dos regulamentos e leis. Engula que os órgãos responsáveis por evitar que isso aconteça não funcionam. Engula que eles deixaram esta, entre tantas e tantas casas mais, funcionar sem licença. Engula que provavelmente alguém que também ganha pouquíssimo aceitou um suborno para que isso acontecesse. Engula que a senhora deu "é" sorte por ser apenas essa casa, entre tantos os outros lugares que deveriam estar fechados, que caiu na boca da mídia. Engula a mídia que vai atacar com todo o sensacionalismo possível em cima das famílias que estão procurando celulares em cima de corpos para reconhecer seus filhos. Engula as operadoras de celular que não funcionam e que provavelmente impediram uma série de vítimas de pedir socorro. Engula que o socorro que chega para se enfiar em lugares como este, pegando fogo, cheio de corpos de jovens para ser resgatados, recebe um salário vergonhoso,com descontos ainda mais vergonhosos, e ainda assim executam um trabalho triste e digno antes de voltarem para casa e agradecerem por seus próprios familiares estarem dormindo. 

Não, presidente. Não chore ao falar da tragédia. Faça! Faça alguma coisa. E pare de nos dar como exemplos uma série de catástrofes para tomar medidas idiotas que não valerão de nada alguns meses depois. Não se emocione. Acione! Acione os órgãos públicos, faça uma limpa em sua maldita corrupção e devolva à segurança pública, às instituições sérias, aos professores, aos bombeiros, aos enfermeiros, aos seguranças, aos jovens, o mínimo de dignidade. Não faça um discurso. Mude o discurso. Mude tudo, porque estamos cansados de ver nossos iguais pegando fogo, morrendo afogados, morrendo em filas, morrendo no crack, morrendo, morrendo, morrendo, e tendo como última imagem aquela TV aos fundos anunciando o fim de mais uma bilionária obra de estádio de futebol. 

Não, presidente. Desculpe, mas na minha frente a senhora não pode chorar. Não pode chorar sem culpa. Não pode chorar sua inércia. Não pode chorar no Chile, mas também não pode chorar em Santa Maria. Porque ísso é muito maior do que só um acidente. Isso é muito maior do que só sua comoção. Engula o seu choro, presidente. O seu, o dos jovens que perceberam que não teriam mais o que fazer que não morrer, e, em especial, o de seus amigos e familiares, que em um país como esse não têm outra opção que não chorar. Engula o choro, presidente."

(Marcella Martins)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Perdida...


Após me encontrar, apesar de não temer a morte, faço questão de me perder... Lanço-me novamente no labirinto e me recuso a usar a mesma saída. Sempre achei sacais as repetições, agora mais do que nunca. Mesmo sabendo que pode não haver outra saída, busco. A busca às vezes é muito mais prazerosa do que o achar. Se outra saída não houver, crio uma, na marra. Vou preparada, munida de martelo. Cavo, apalpo, destruo... só para ter o prazer de reconstruir, principalmente a mim mesma. E depois... claro... me destruo novamente. E curiosamente vivo! 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O anel cadê? Já era! Perdeu!

Na brincadeira de passar o anel da culpa, sabe-se lá nas mãos de quem ele vai parar, se é que, como quase sempre, ele não vai se perder pelo caminho! Será que vai para o dono irresponsável da boate?  Dos carinhas babacas da banda que lá tocava e que não sabiam que show pirotécnico não combina com local fechado? Dos seguranças que, dementes, não sacaram que poderia estar acontecendo algo atípico lá dentro para justificar tanta gente querendo sair? Do órgão de fiscalização que fez vista grossa (ou "levou algum") e permitiu que um lugar com licença vencida continuasse funcionando normalmente?  

Ahhh, do jeito que a coisa anda, dá até medo de daqui a pouco o anel da culpa ir parar na mão de quem escolheu ir se divertir na boate justamente aquela noite enquanto poderia estar em casa, no conforto do seu lar, assistindo ao BBB e afins... e que curiosamente nem precisaria ser punido! Já está cumprindo a pior das penas: deixar de viver! Revoltante...!

Não precisamos ir tão longe, pois recentemente aqui mesmo em Cabo Frio um pilantra que assaltou usando um bilhete (e muito do mal escrito, diga-se de passagem!) e que confessou o crime,  justificando que gastou o dinheiro com crack, "tadinho", foi solto. Me perdoe a franqueza, mas sinto falta de um tempo em que se prendia até quem roubava um pão, para matar a fome. E olha que isso eu juro que entenderia, mas...

Estou cansada de ver tanta impunidade... em todo o canto... e cada dia menos crianças brincando de passar o anel e mais crianças brincando de "polícia e ladrão" e,  pelo visto, levando isso super a sério! Preocupante, preocupante...

Algo em mim queima, se incendeia. Muita dor. Na alma. O jeito é mesmo desligar a televisão... Quem sabe assim dói menos?!? Não sei. Não sei não. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Santa Maria, olhai por eles!


Amanheci pesando mais uns duzentos quilos, por conta da tristeza e do sofrimento com relação às tantas mortes ocorridas em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Que Deus conforte cada família e que acolha cada um que partiu por simplesmente estar no lugar errado, se é que isso existe! Às vezes não dá mesmo para entendermos os propósitos de Deus, mas, mesmo assim, sigo crendo piamente Nele! 

Como o "morrer junto" me silencia, peço emprestada cada palavra do queridíssimo e talentoso Fabrício Carpinejar utilizada neste emocionante texto. Ele é foda! 

"Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andrades, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cina,anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.  Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência. Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados. Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro. Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mão, do pai, dos irmãos. Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu." 

(Fabrício Carpinejar)

Interno -> Externo


Já vivenciei dilemas semelhantes em outros momentos da minha vida, mas, por acreditar que toda ela é formada por ciclos, não me sinto retroceder ao revisitar sensações tão parecidas. Posso fazer ajustes neles, em mim. Tudo é válido! 

Fiquei anos curiosamente confortável no botão... principalmente depois que fui mãe... e como isso me preenche! Porém, de uns meses para cá, parece que há uma espécie de luta entre a Andreia mãe com a Andreia mulher, que se redescobre a cada dia... que rompe barreiras e deseja alargar limites, construir novos sonhos, renovar-se, enfim. 

Há todo um medo implícito de florescer, ainda mais porque há outros olhares críticos sobre essa curiosa metamorfose ambulante que chamo de eu, mas preciso. A hora chegou. É hora de me esticar e sair do botão... é hora de fechar um ciclo para abraçar outro... Se a flor vai ser elogiada ou se vão considerá-la linda ou não, pouco importa. Só sei que cansei do botão! Ficou pequeno demais para mim! Entediei-me com o interno e agora quero ganhar mundo... pelo menos o mundo que habita em mim! Eis-me aqui, flor, ou quase isso! Evolução! 

sábado, 26 de janeiro de 2013



Odeio convenções, embora tenha inevitavelmente que aceitar algumas, as mais básicas. Fora isso, sigo a minha intuição e minha emoção, cada uma delas. Uso sempre meu coração como bússola, mesmo pagando, tantas e tantas vezes, um preço tão alto que nem reunindo meu salário de um ano e meio pagaria! Pra falar a verdade, acho que isso nem preço tem! Pago com sangue... em hemorragias intensas... sangro dias... mas não desisto! Sangrar, para mim, é a maior prova de que estou viva, vi-va!

Sinto-me livre para ousar ser diferente de todos e igual apenas a mim, se bem que sinto às vezes destoar até de mim mesma, tantos labirintos há em meu ser! Pinto de azul os cabelos só para diferenciar dos vermelhos, mesmo sendo vermelho a minha cor preferida. Passo a fazer bico e a torcer o nariz para tudo aquilo que todo mundo gosta e adere. Na foto, olho para o lado se todos para frente olhando estiverem... deixo-os soltos e correndo ao vento... esvoaçantes... nada de regras, nada de cabelos revelando um comportamento passivo e submisso, que nem de longe tem a ver comigo! 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Só aceito essa panela!

Não violento o meu ser dizendo "amém" a nada com que não concorde só para agradar. Sempre preferi agradar a mim mesma e tudo aquilo em  que, utopia ou não, acredito. Recuso "panelas"... quase todas! Só aceito mesmo aquela que posso colocar na cabeça, externamente, menina maluquinha que assumidamente sou! Com ela saio por aí causando a maior variedade de sensações e reações!

Há quem deboche, há quem insulte, há quem maltrate apedrejando, mas eu sigo, quase sempre cantando... porque sei que também há outros que se assemelham a mim em essência, que sorriem (mesmo que timidamente) e que me seguem, mesmo que, alguns, com suas panelas invisíveis! Um dia chegarão lá! Aliás, CHEGAREMOS!

É bem verdade que Deus ama a todos, mas que tem uma certa predileção pelos "doidos", ahhh tem! Amém!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Livre vermelhidão


Fico me perguntando até que ponto temos, verdadeiramente, as rédeas de nossas próprias vidas... de nossas escolhas... das consequências advindas dessas! Tantas e tantas vezes fui dormir refletindo a respeito disso e amanheci desconfiando de que a liberdade, total, genuína, é utopia pura! Um inconsumível sonho de consumo! 

Enquanto perdi tempo pacas conjecturando e nunca chegando a lugar nenhum, outros eram livres, sem nem se darem conta disso,  felizes, satisfeitos e submersos na total ignorância (salvadora às vezes). Por incapacidade mesmo de assim eu ser, sigo fingindo que sou livre... Pelo menos para escolher a cor vermelha dos meus cabelos! Iludo-me! Sou livre, enfim! 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Esperando contato da borboleta


Não aceito mais me prender a nada que rotule ou generalize! Há sempre perdições e erros nisso! Sempre respinga uma gota ou outra de dor, inevitavelmente, e que talvez nos faça esquecer de que tudo são ciclos... sucessivos... passagens.... transições.... atalhos...

Mergulho em mim e não me reconheço mais como lagarta. Minha essência mudou e agora não mais consigo deixar de desejar o ar... os voos... sonho com eles... respostas que chegam quando eu me dedico ao sono... profundo... Transe! Aproveito o momento onde o tudo e o nada gostosamente se enamoram e parecem se entender. Único. 

Respiro e ligeiramente sorrio. Constatação: Não sou borboleta ainda. Uma asa, bem fraquinha, nasceu, mas a outra nem dá sinais de vir. Incompletude. Medo. Mas certeza de que preciso saber dosar tudo e aproveitar o poder concentrado na transição! Não mergulho mais em mim, mas nela... borboleta projetada... Aguardo você me fazer um convite.... unzinho só! Quero cliques! Registre! Preciosidade à vista! 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mais uma carta perdida no tempo...


Filhote,

Agora só falta metade do caminho para você completar um aninho de vida! Como o tempo voa! Parece que foi ontem que eu estava com aquele barrigão, com você protegido lá dentro, a caminho da maternidade! Parece que foi ontem que eu estava deitada na sala de parto e prestes a ver chorar um tijolinho branquelo dos lábios tão vermelhos! Você parecia um moranguinho, filho! 

Há seis meses você mudou ainda mais a minha vida! Se dentro da barriga, através das várias ultras, eu já o achava lindo, imagine então agora, que eu tenho você aqui fora, fazendo tantas gracinhas, encantando a todos! Não quero perder nenhuma delas, por isso tiro tantas fotos a ponto até de ser motivo de piada, principalmente do seu pai. Não ligo! No fundo, acho que ninguém entende bem a intensidade do nosso amor! Já são mais de 10.000 fotos! Não me canso! Se pudesse, só viveria para registrar tudo relacionado a você! Tudo é tão mágico, especial, marcante! Temo que só a mente e o coração não registrem. Haja memória! Por isso recorro à pilha, à tecnologia! 

Obrigada por fazer de mim essa pessoa tão boba, babona, forte, e ao mesmo tempo tão frágil. Sou uma leoa para defendê-lo e me sinto tão pequena e dependente de você! Às vezes penso que é você já quem me protege e não o contrário, sabe! Faço sempre o que você quer, mesmo morrendo de medo de "estragá-lo", de falhar em sua educação... E se por você um dia eu precisar buscar a lua, acredite, eu darei um jeito de fazê-lo. Não meço esforços para fazê-lo feliz! 

Você é e sempre será o meu bem mais precioso! Jamais duvide disso! 

Com amor, 

Mamãe Dedéia
14/02/2010

O imprevisível


Passeando pela praia e tirando umas fotos, acabei sendo surpreendida pelo imprevisível, e tudo isso graças ao meu filho Miguel, que, ainda na faixa dos três anos, tanto me ensina...  diariamente... 

A lição de hoje foi ver como de repente tudo pode mudar, e em questão de minutos... se não deixarmos o  medo -- esse imenso ladrão de oportunidades -- se cristalizar em nós! 

Desde bem pequeno Miguel tem pavor de praia, por causa das ondas... Não sei de onde isso surgiu, sinceramente, só sei que lamento por ele, por abdicar, mesmo sem se dar conta, do prazer de sentir o mar abraçar e as ondas acarinhar! Bom também sentir o sal do mar temperar mais do que o corpo: a alma. Como renova! 

Já tinha desistido de convencê-lo, quando, sem menos esperar, ele se interessou por uma pequena lagoa, sem ondas... e rapidamente aceitou tirar as roupas e brincar de ser peixe, para surpresa de todos.   Resolvi tentar aproveitar a "deixa" para incentivá-lo a ir, mais adiante, para a parte em que marolinhas se divertiam. Ele ia até a beira e voltava, e fez isso incontáveis vezes. O que seria uma cena de cortar o coração, foi mais uma de tantas lições. Gostei de ver meu filho encarar seu medo de frente... Já é uma conquista, eu sei! Não entrar na água para brincar com as ondinhas não me deixou triste.... entendi que é uma questão de tempo mesmo... algo interno que precisa ter o botão de "superar" apertado... e apenas por ele! 

Saí de lá refletindo... refletindo... refletindo... e tentando fazer uma busca sincera em mim para ver se já há algum botão a ser apertado! Sempre há!